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ISSN 1517-4964 | |
| Dezembro, 2011 | ||
| Passo Fundo, RS | ||
Foto: Osmar Rodrigues |
Avaliação das cultivares BRS Estância RR, BRS Tordilha RR e duas linhagens de soja em espaçamentos largos de semeadura Osmar
Rodrigues1 |
Introdução
O programa de melhoramento de soja desenvolvido na Embrapa Trigo, tem seu esforço concentrado na criação e desenvolvimento de genótipos para o sistema de produção, preferencialmente indicado para época de máximo crescimento (meados de novembro). Nessa época, estratégias de manejo (arranjo de plantas) têm sido desenvolvidas no sentido de adequar as cultivares para a máxima interceptação da radiação solar. Caso contrário, o rendimento de grãos poderá ser afetado negativamente (BARNI; BERGASMASCHI, 1981; BARNI et al., 1985; RODRIGUES et al., 2001). No RS, nas semeaduras em época preferencial (meados de novembro), predominam as cultivares com hábito de crescimento determinado, que estabelecem as vagens e enchem os grãos durante os meses de janeiro e fevereiro. Nesses meses ocorrem as menores médias de precipitação pluvial e, consequentemente, a maior probabilidade de ocorrência de deficiência hídrica no solo, coincidindo com a fase de maior demanda hídrica da planta. Nessa situação, a distribuição das plantas no espaço (arranjo) é fundamental, para que não sobre área foliar, comprometendo o balanço hídrico da cultura, ou falte área foliar, comprometendo a interceptação de luz. Contudo, nas condições do Planalto do RS, tem se observado uma tendência de utilização de espaçamentos mais amplos do que mais estreitos. Tal situação, decorre do avanço da ferrugem da folha na soja, enfermidade que reduz sensivelmente a área foliar e tem forçado os produtores a adotar medidas de manejo para minimizar o dano. Nesse sentido, o aumento do espaçamento entre linhas poderia se constituir em estratégia para melhorar a penetração de luz no dossel, dificultando o avanço dessa enfermidade e melhorando a persistência dos fungicidas utilizados para o controle da doença. Contudo, tal estratégia poderá implicar em redução significativa de rendimento de grão, decorrente do aumento da competição entre plantas na linha e da ineficaz interceptação da radiação pelo dossel, o que poderá superar o custo da utilização de fungicidas. Portando, o conhecimento inicial do crescimento, do desenvolvimento e da produção de grãos das cultivares de soja liberadas no mercado pela Embrapa Trigo, utilizando espaçamento mais amplos (75 cm entre fileiras) é uma necessidade para a tomada de decisão pelos produtores. Para atender esse objetivo, os genótipos de soja da Embrapa Trigo (BRS Tordilha RR; BRS Estância RR; PF0268196 RR e PF0271454 RR) foram submetidos a medidas de manejo envolvendo espaçamento mais amplos, em semeadura de meados de novembro.
Os experimentos foram conduzidos na área experimental da Embrapa Trigo, no município de Passo Fundo/RS, localizada na rodovia BR-285, Km 294, em solo da unidade experimental classificado como Latossolo Vermelho Distrófico típico. No safra agrícola de 2009/2010 foram estudados 4 genótipos transgênicos: BRS Estância RR (GM 6.1), BRS Tordilha RR (GM 6.2), PF0268196 RR e PF0271454 RR, semeados em 27/11/2009 Nessa safra os genótipos foram semeados em 27/11/09. Foram estudadas duas populações de plantas (20 e 30 plantas/m2) e três espaçamentos entre fileiras (25, 50 e 75 cm). Na safra agrícola 2010/2011, o experimento foi repetido com apenas dois genótipos (BRS Estância RR e BRS Tordilha RR) semeados em 11/11/2010. Os experimentos foram estabelecidos em sistema de semeadura direta, com as sementes inoculadas previamente. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com parcelas sub-subdivididas, com três repetições. A parcela principal foi constituída pelas cultivares, as sub-parcelas, pelos espaçamentos e as sub-subparcelas, pelas populações. As médias foram comparadas pelo teste Duncan ao nível de 5% de probabilidade. As adubações de P e K foram efetuadas antes da semeadura, conforme indicações técnicas para a cultura da soja. Foram realizadas aplicações de inseticidas e herbicidas, para controle de pragas e plantas indesejadas. Durante o período de execução dos experimentos, foram realizadas irrigações para evitar interferência negativa da deficiência hídrica. Foram avaliadas as ocorrências dos estádios de: emergência (VE); floração plena (R2) e maturação plena (R8). No estádio R2 (FEHR; CAVINESS, 1977) foi avaliado o índice de área foliar (IAF) e no estádio R8 o rendimento de grãos (13% de umidade) e componentes do rendimento. Avaliações complementares de fenologia, estatura de plantas e índice de colheita também foram realizadas.
Na safra 2009/2010, o destaque em rendimento de grãos foi a cultivar BRS Tordilha RR (GM=6.2) e a linhagem PF0271454 RR (Tabela 1). A cultivar BRS Estância RR (GM=6.1) e a linhagem PF0268196 RR apresentaram rendimento de grãos inferiores aos demais genótipos, mas superando os 3100 kg/ha (Tabela 1). Por outro lado, na safra 2010/2011, onde foram testados apenas as cultivares BRS Estância RR e BRS Tordilha RR, não foram observadas diferenças significativas no rendimento de grão entre as cultivares (Tabela 2).
Com relação ao arranjo de plantas, observou-se que na safra 2009/2010, independentemente dos genótipos estudados, não houve diferença significativa no rendimento de grãos com a utilização de 20 ou 30 plantas/m2 (Tabela 3). Assim, considerando o aspecto econômico em termos de quantidade de sementes utilizadas (insumo), a recomendação de 20 plantas/m2 se constitui na escolha mais adequada. Com relação ao espaçamento, não se observou diferença significativa entre os espaçamentos usados, nos genótipos estudados (Tabela 3) e tampouco interação entre densidades e genótipos.
Na safra agrícola 2010/2011, onde apenas as cultivares BRS Estância RR (GM 6.1) e BRS Tordilha RR (GM 6.2) de grupos de maturação mais baixos foram estudadas, não se observou diferença no rendimento de grãos com a utilização de 20 ou 30 plantas/m2 (Tabela 4), de maneira análoga ao observado na safra anterior.
Com relação ao efeito do espaçamento entre linhas no rendimento de grãos, não foram observadas interações entre densidade e espaçamento bem como entre espaçamento e cultivares. Apenas diferenças simples no espaçamento entre linhas, sendo que o melhor desempenho em termos de rendimento de grãos foi observado quando 50 cm entre linhas foi utilizado (Tabela 4). Contudo, cabe destacar que neste ano, o espaçamento de 75 cm apresentou rendimento de grãos significativamente inferior, reduzindo em cerca de 500 kg/ha a produtividade das cultivares em estudo.
De forma geral, o espaçamento de 50 cm com redução da população para 20 plantas/m2, se constitui na melhor estratégia para reduzir os custos de produção, sem perder potencial de rendimento. Ainda, a tendência de aumentar o espaçamento para 75 cm entre linhas, pode em alguns anos, provocar uma perda significativa no rendimento de grãos.
1Pesquisador
da Embrapa Trigo, Caixa postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo,
RS. E-mail: osmar@cnpt.embrapa.br; mauro@cnpt.embrapa.br; bertag@cnpt.embrapa.br.
2Analista
da Embrapa Trigo, Caixa postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo,
RS. E-mail: edsonc@cnpt.embrapa.br.
3Estudante do curso de agronomia da UPF e estagiário da Embrapa Trigo. E-mail: francisco.na@hotmail.com.
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