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ISSN 1517-4964 | |
| Março, 2011 | ||
| Passo Fundo, RS | ||
Foto: Douglas Lau |
Reação
de genótipos de trigo ao mosaico comum – análise
de dados 2010
Douglas
Lau1 |
Introdução
No Brasil, o mosaico comum do trigo ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no sul do Paraná, sendo atribuído ao Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV) (CAETANO, 1982). Este vírus capaz de infectar o trigo, o triticale, o centeio, a cevada e outras gramíneas é transmitido por um organismo eucarioto, parasita obrigatório de raízes de plantas denominado Polymyxa graminis (KANYUKA et al., 2003). Por ser veiculado por um organismo residente no solo, os danos na produção causados por mosaico, em geral, são limitados a determinadas áreas da lavoura onde o vetor se concentra, mas, sob condições ambientais favoráveis (frio e umidade), grandes áreas cultivadas com cultivares suscetíveis podem ser comprometidas. O longo período de sobrevivência do vetor e a gama de plantas hospedeiras dificultam o controle desta virose de outra forma que não seja a resistência genética (CAETANO, 1982). Dos genótipos de trigo utilizados no Brasil, a cultivar Embrapa 16 é resistente, sendo esta característica transmitida com eficiência a sua progênie (BARBOSA et al., 2001).
Considerando a importância do emprego da resistência genética no manejo desta virose, é importante caracterizar o nível de resistência de genótipos a serem lançados no mercado para auxiliar na tomada de decisão quanto ao seu emprego em áreas com histórico e/ou risco de mosaico comum. Neste sentido, foram determinadas as reações ao mosaico comum de linhagens de trigo em VCU.
Material e métodos
O ensaio conduzido em condições de campo foi realizado no ano de 2010, na área experimental da Embrapa Trigo, em local com histórico recorrente de mosaico comum (S28°13’31.60’’; O52°24’18.89’’) (Fig. 1A) e próximo ao posto meteorológico onde foram coletados dados de temperatura média do solo a 5 e a 10 cm, temperatura média do ar e precipitação. O ensaio foi semeado em 01/07/2010 e conduzido em blocos com três repetições e 50 tratamentos (linhagens e cultivares de trigo). Cada tratamento foi semeado em uma linha de 0,5 m de comprimento (aproximadamente 30 sementes/linha) (Fig. 1B). As cultivares Embrapa 16 e BRS Guamirim foram utilizadas como padrões resistente e suscetível, respectivamente. A fim de mapear a área quanto à ocorrência de mosaico, estas duas cultivares foram intercaladas a cada cinco linhas dos genótipos em teste.
Para cada parcela, foram avaliados os sintomas (Fig. 1C) e classificadas as plantas nas seguintes categorias: 1 a 1.9 resistente (plantas com crescimento normal sem sintomas ou com poucos sintomas de mosaico); 2 a 2.9 medianamente resistente/suscetível (plantas com crescimento normal, mas com sintomas de mosaico evidentes nas folhas e hastes) e 3 a 4 suscetível (plantas com sintomas de mosaico evidentes nas folhas e nas hastes e com comprometimento do crescimento). No período do ensaio foram realizadas duas avaliações: a primeira em 28 de setembro de 2010 e a segunda em 03 de novembro de 2010 (utilizada nas análises). Após a colheita, realizada em 29 de novembro de 2010, foi determinado o peso total de grãos para cada parcela. O efeito do mosaico comum sobre as cultivares Embrapa 16 e BRS Guamirim foi estimado comparando-se o peso total de grãos para as parcelas localizadas em posição do bloco com baixa incidência de mosaico (parcelas sadias, posição XI da Fig. 4A) com a média do peso total de grãos das demais parcelas localizadas em posições com incidência de mosaico (parcelas afetadas, posições I a X da Fig. 4A). O dano percentual foi estimado por meio da fórmula:
Dano% = (Média parcelas afetadas-Média parcelas sadias)/(Média parcelas sadias)*100
Para a comparação entre as cultivares e linhagens e sua classificação quanto à reação ao mosaico foram utilizadas as notas, o peso total de grãos nas áreas com baixa incidência de mosaico, o peso total de grãos nas áreas com alta incidência de mosaico e o dano estimado com base na fórmula acima citada.
Resultados
As condições de temperatura e precipitação a época da semeadura foram favoráveis à ocorrência de mosaico, com temperatura média do solo, a 5 cm, de 12,9 °C e precipitação acumulada de 187,1 mm no mês de julho (Fig. 2). A distribuição da doença não foi uniforme na área (Fig. 3). O conjunto das parcelas situadas na extremidade do ensaio (posição XI da Fig. 4A) que apresentou baixa incidência de mosaico foi utilizado como padrão “sadio” para fins das estimativas de dano para as cultivares controle Embrapa 16 e BRS Guamirim. A cultivar Embrapa 16 apresentou severidade média de mosaico igual a 1,75 (mínima: 1,0 e máxima: 2,5) inferior a BRS Guamirim com média igual a 2,78 (mínima: 1,0 e máxima: 4) (Fig. 4B). A produção de Embrapa 16 (peso de grãos) apresentou redução de até 48,8% (Fig. 4D). BRS Guamirim apresentou alta severidade de sintomas (nota 4 da escala) (Fig. 4A e B), redução da produtividade em parcelas situadas nas posições com incidência de mosaico maior que Embrapa 16 (Fig. 4C) e o dano estimado atingiu 63,5% (Fig. 4D).
Entre as linhagens e cultivares de trigo analisadas foram observadas diferenças quanto à reação (sintomas) ao mosaico, produção e dano (Tabela 1). Foram suscetíveis (similares ao controle suscetível BRS Guamirim), apresentando sintomas característicos do mosaico, baixa produtividade nas parcelas com mosaico e perdas acima da média do ensaio as cultivares FCEP RAÍZES, ÔNIX, QUARTZO, BRS 208, PF 030902, PF 070094, PF 040310, PF 023186-C=A, PF 070142, PF 070147, PF 015733-C, PF 080924 e PF 070776.
O segundo grupo, composto por materiais resistentes (sem sintomas evidentes de mosaico, produção nas áreas com mosaico acima da média do ensaio e danos estimados abaixo da média do ensaio), inclui as linhagens PF 070797, PF 070159, PF 070806, PF 070473, PF 070795, PF 070497, PF 070475, PF 070790, PF 070490, PF 070226, PF 070477, PF 070644 e PF 070491.
O terceiro grupo, constituído de materiais que apresentaram características que oscilaram entre os dois grupos anteriores, abrange as cultivares BRS 327 e MIRANTE e as linhagens PF 070485, PF 070488, PF 023276-C=A, PF 070496, PF 070056, PF 070073, PF 070153, PF 070628, PF 050556, PF 030422, PF 060451, PF 070815, PF 070478, PF 070761, PF 050475, PF 043478, PF 070155, PF 033207, PF 015727-A, PF 070759, PF 070653.
Destaques para a elevada proporção de genótipos resistentes entre as descendências derivadas dos cruzamentos:
1 Pesquisador
da Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970 Passo Fundo,
RS.
2Bolsista
PIBIC-CNPq,Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970 Passo
Fundo, RS.
3Assistente
A, Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970 Passo Fundo,
RS.
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