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O trigo no Brasil

A chegada do trigo ao Brasil remonta ao período colonial. Ainda no século 16, os portugueses que para cá vieram tentaram o cultivo desse cereal, no centro do país, como a iniciativa de Martin Afonso de Souza, em 1531, de cultivar trigo na Capitania Hereditária de São Vicente, que hoje corresponde ao Estado de São Paulo. Depois o trigo migrou para o sul, encontrando ambiente, clima e solo, mais adequados as suas exigências. Os açorianos, que chegaram em meados do século 18, foram os protagonistas da experiência mais difundida historicamente sobre o cultivo de trigo no Brasil. E vieram as epidemias de ferrugem, as guerras, a abertura dos nossos portos às nações amigas e o trigo quase desapareceu das terras brasileiras.
Com a independência e a fase imperial, chegaram os alemães, em 1824, que mantiveram o trigo nas colônias germânicas do Rio Grande do Sul. Depois, foi a vez dos italianos, em 1875, dando um novo impulso ao trigo no Brasil. E, novamente, entusiasmos, êxitos e fracassos se sucedendo.

Fim do século 19 e a República. Veio o século 20, primeiro, fracassos com importações de sementes não adaptadas. Depois de diversos fracassos da cultura, principalmente em função de doenças, o Ministério da Agricultura procurou incentivar o plantio do cereal com a criação, em 1919, de duas Estações Experimentais – em Ponta Grossa, no Paraná, e em Veranópolis, no Rio Grande do Sul.

Estímulos por um lado - com a criação de estações experimentais específicas para trigo e o surgimento do trigo Frontana, nos anos 1940 - e, por outro, as fraudes do trigo-papel e o acordo de compra do trigo americano. Mais uma vez a triticultura brasileira relegada a um segundo plano.

O estímulo do governo da época à triticultura passou a ser mais efetivo depois da Segunda Guerra Mundial, em 1954, quando surgiram as primeiras lavouras mecanizadas no estado do Rio Grande do Sul. A consolidação da cultura aconteceu apenas muitas décadas depois, por volta de 1960, com a política de amparo à triticultura e à moagem de trigo. A pesquisa da Embrapa Trigo, implantada em Passo Fundo em outubro de 1974, teve papel fundamental no desenvolvimento da lavoura.

No início, a Embrapa Trigo, (empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA), procurou criar variedades adaptadas ao clima e solo da região Sul do Brasil. Mais tarde, concentrou esforços para aumentar a produtividade. Os avanços, baseados no uso de tecnologias recomendadas, permitiram que a produtividade aumentasse de 700 quilos por hectare (kg/ha) para mais de 1.700 kg/ha. Esse crescimento, em um período de tempo considerado por especialistas bastante curto, é um dos mais significativos do mundo. O potencial de rendimento ultrapassou os 5 mil kg/ha e em campos experimentais já chegou a 8 mil kg/ha. Com as tecnologias Embrapa Trigo, foi possível aumentar a produtividade da lavoura, baixar os custos de produção e preservar o ambiente e a saúde do agricultor. Essas inovações permitiram uma agricultura mais competitiva, o que tem gerado incremento na renda do produtor, e mais qualidade do produto final, beneficiando também o consumidor.

O Brasil produz hoje cerca de 5 milhões de toneladas de trigo. No final da década de 80, a produção era de 6 milhões de toneladas. De acordo com os pesquisadores da Embrapa Trigo, o Brasil oferece área e condições de ser auto-suficiente na produção de trigo. Para isso, seria necessário uma política agrícola adequada, pois a triticultura brasileira ainda enfrenta alguns desafios, entre eles, o problema da comercialização do cereal.

   
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